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sexta-feira, 11 de julho de 2025

Resumo extraído do Capítulo 33, do livro: Physics for Scientists and Engineers with Modern Physics, 9th Ed

Capítulo 33 – Circuitos em corrente alternada (AC)


33.1 Fontes de Corrente Alternada

Uma fonte de corrente alternada (AC) fornece uma tensão alternada que varia sinusoidalmente com o tempo, descrita por:

Δv=ΔVmaxsin(wt)\Delta v = \Delta V_{max} \sin (vt)

onde ΔVmax\Delta V_{max} é a amplitude da tensão e wv é a frequência angular (ligada à frequência ff por w=2πfv = 2\pi f). Exemplos de fontes AC incluem geradores e osciladores eléctricos. Em casa, cada tomada serve de fonte de AC.

A tensão alternada muda de sinal ao longo de cada ciclo: positiva numa metade, negativa na outra. O resultado é que a corrente no circuito também alterna de sentido, variando sinusoidalmente.

A frequência comercial varia consoante o país; em Portugal é de 50 Hz (o que dá uma frequência angular de 314 rad/s).


33.2 Resistências num Circuito AC 

Considera-se um circuito AC simples com uma resistência ligada a uma fonte AC. Usando a lei das malhas de Kirchhoff:

ΔviRR=0\Delta v - i_R R = 0

Substituindo Δv=ΔVmaxsin(wt)\Delta v = \Delta V_{max} \sin (vt):

iR=ΔVmaxRsin(wt)=Imaxsin(wt)i_R = \frac{\Delta V_{max}}{R} \sin (vt) = I_{max} \sin (vt)

Assim, a corrente alternada numa resistência varia em fase com a tensão: ambos atingem os seus valores máximos e mínimos em simultâneo. Em gráficos de tensão e corrente versus tempo, os dois são sinusoides coincidentes.

Conceito de fase: Para resistências, corrente e tensão estão sempre em fase.

Diagramas fasoriais: Um fasor representa uma grandeza (corrente ou tensão) como um vetor rotativo cuja projeção no eixo vertical dá o valor instantâneo. Para uma resistência, os fasores de corrente e tensão estão alinhados, indicando fase igual.

Valores eficazes (rms): Em AC usa-se o valor eficaz (root-mean-square, rms) para facilitar comparações com DC:

Irms=Imax20.707ImaxI_{rms} = \frac{I_{max}}{\sqrt{2}} \approx 0.707 I_{max} ΔVrms=ΔVmax2\Delta V_{rms} = \frac{\Delta V_{max}}{\sqrt{2}}

Por exemplo, quando dizemos que uma tomada fornece 230 V AC, referimo-nos ao valor rms; o valor de pico seria cerca de 330 V.

Potência média:

Pavg=Irms2RP_{avg} = I_{rms}^2 R

As resistências dissipam potência independentemente da direção da corrente: aquecem igualmente com corrente positiva ou negativa.


33.3 Bobines num Circuito AC 

Agora considera-se um circuito AC com apenas uma bobine:

ΔvL=LdiLdt\Delta v_L = -L \frac{di_L}{dt}

Usando Δv=ΔVmaxsin(wt)\Delta v = \Delta V_{max} \sin (vt):

ΔVmaxsin(wt)=- LdiLdt\Delta V_{max} \sin (vt) = L \frac{di_L}{dt}

Integrando:

iL=ΔVmaxwLcos(wt)=ΔVmaxwLsin(wtπ2)i_L = -\frac{\Delta V_{max}}{vL} \cos (vt) = \frac{\Delta V_{max}}{vL} \sin \left(vt - \frac{\pi}{2}\right)

Resultado importante: a corrente numa bobine atrasa-se 90° em relação à tensão. Em gráficos de tempo, a tensão atinge o máximo um quarto de ciclo antes da corrente.

Diagramas fasoriais: os fasores de corrente e tensão são ortogonais (90° de diferença).

Reactância indutiva: a oposição de uma bobine à corrente AC depende da frequência:

XL=wLX_L = vL Imax=ΔVmaxXLI_{max} = \frac{\Delta V_{max}}{X_L}

Assim, para frequências mais altas, a reactância indutiva aumenta, reduzindo a corrente. Isto está de acordo com a lei de Faraday: maior variação de corrente gera uma força contra-electromotriz (emf) maior.

Valores rms:

Irms=ΔVrmsXL

33.4 Condensadores num Circuito AC 

Considera-se um circuito AC constituído apenas por um condensador de capacitância CC. Aplicando a lei das malhas de Kirchhoff:

ΔvqC=0\Delta v - \frac{q}{C} = 0

Substituindo Δv=ΔVmaxsin(wt)\Delta v = \Delta V_{max} \sin(vt):

q=CΔVmaxsin(wt)q = C \Delta V_{max} \sin(vt)

A corrente é dada por:

iC=dqdt=wCΔVmaxcos(wt)i_C = \frac{dq}{dt} = vC \Delta V_{max} \cos(vt)

Usando a identidade trigonométrica cos(wt)=sin(wt+π2)\cos(vt) = \sin\left(vt + \frac{\pi}{2}\right):

iC=wCΔVmaxsin(wt+π2)i_C = vC \Delta V_{max} \sin\left(vt + \frac{\pi}{2}\right)

Resultado importante: a corrente num condensador antecipa-se 90° em relação à tensão. Ou seja, a corrente antecipa a tensão por um quarto de ciclo.

Representação gráfica: nos gráficos de tempo, o pico da corrente ocorre antes do pico da tensão. Em pontos onde a corrente é nula, o condensador está carregado ao máximo.

Diagrama fasorial: o fasor da corrente está 90° à frente do fasor da tensão.

Reactância capacitiva: o condensador oferece oposição à corrente alternada dependente da frequência:

XC=1wC


X_C = \frac{1}{vC}
Imax=ΔVmaxXCI_{max} = \frac{\Delta V_{max}}{X_C}

Interpretação: para frequências mais altas, a reactância capacitiva diminui, permitindo mais corrente. Quando a frequência se aproxima de zero (DC), XCX_C tende para infinito, bloqueando a corrente.

Valores rms:

Irms=ΔVrmsXC


33.5 O Circuito Série RLC 

Agora estuda-se um circuito série com resistência (R), bobine (L) e condensador (C) ligados a uma fonte de tensão AC:

Δv=ΔVmaxsin(wt)\Delta v = \Delta V_{max} \sin(vt)

A corrente no circuito é comum a todos os elementos:

i=Imaxsin(wtϕ)i = I_{max} \sin(vt - \phi)

onde ϕ\phi é o ângulo de fase entre a tensão aplicada e a corrente.

Características de fase:

  • Na resistência: tensão e corrente em fase.

  • Na bobine: tensão adianta-se à corrente por 90°.

  • No condensador: tensão atrasa-se da corrente por 90°.

Tensões instantâneas:

ΔvR=ImaxRsin(wt)\Delta v_R = I_{max} R \sin(vt) ΔvL=ImaxXLcos(wt)\Delta v_L = I_{max} X_L \cos(vt) ΔvC=ImaxXCcos(wt)\Delta v_C = -I_{max} X_C \cos(vt)

Impedância (Z): combina as três componentes considerando as diferenças de fase:

Z=R2+(XLXC)2Z = \sqrt{R^2 + (X_L - X_C)^2}

onde:

XL=wL,XC=1wCX_L = vL, \quad X_C = \frac{1}{vC}

Corrente máxima:

Imax=ΔVmaxZI_{max} = \frac{\Delta V_{max}}{Z}

Ângulo de fase:

tanϕ=XLXCR\tan \phi = \frac{X_L - X_C}{R}

  • Se XL>XCX_L > X_C: circuito mais indutivo → corrente atrasa-se em relação à tensão.

  • Se XL<XCX_L < X_C: circuito mais capacitivo → corrente antecipa-se em relação à tensão.

  • Se XL=XCX_L = X_C: circuito resistivo puro, ϕ=0\phi = 0.

Diagramas fasoriais: permitem somar as tensões nos diferentes elementos considerando as suas fases relativas. A soma vetorial resulta na tensão aplicada.

Conclusão: o comportamento do circuito série RLC depende fortemente da frequência de operação devido à variação de XLX_L e XCX_C. Este circuito pode exibir ressonância (discutida mais adiante no capítulo).


33.6 Potência num Circuito AC 

A potência instantânea fornecida por uma fonte AC é:

P=iΔvP = i \Delta v

Para um circuito RLC:

P=Imaxsin(wtϕ)ΔVmaxsin(wt)P = I_{max} \sin(vt - \phi) \cdot \Delta V_{max} \sin(vt)

Usando identidades trigonométricas e calculando o valor médio ao longo de um ciclo:

Pavg=12ImaxΔVmaxcosϕP_{avg} = \frac{1}{2} I_{max} \Delta V_{max} \cos \phi

Em termos de valores eficazes (rms):

Pavg=IrmsΔVrmscosϕP_{avg} = I_{rms} \Delta V_{rms} \cos \phi

onde cosϕ\cos \phi é o factor de potência.

Interpretação:

  • cosϕ=1\cos \phi = 1: carga puramente resistiva, máxima potência transferida.

  • cosϕ=0\cos \phi = 0: carga puramente reativa (bobine ou condensador puros), potência média zero.

Explicação física:

  • Numa resistência, a energia elétrica converte-se em calor → há consumo real de potência.

  • Numa bobine ou condensador ideais, a energia é armazenada e devolvida ao circuito → não há dissipação líquida de potência.

Factor de potência na prática: Em instalações industriais com cargas indutivas significativas (motores, transformadores), usa-se a compensação capacitiva para melhorar cosϕ\cos \phi, reduzindo perdas e aumentando a eficiência da rede.

Expressão alternativa para potência média:

Pavg=Irms2RP_{avg} = I_{rms}^2 R

Conclusão: a potência dissipada num circuito AC depende não só da corrente e tensão rms, mas também do factor de potência, que quantifica o desfasamento entre corrente e tensão.


33.7 Ressonância num Circuito Série RLC 

Um circuito série RLC comporta-se como um oscilador eléctrico. Quando a frequência da fonte coincide com a frequência natural do sistema, ocorre ressonância.

Impedância em AC:

Z=R2+(XLXC)2Z = \sqrt{R^2 + (X_L - X_C)^2}

onde:

XL=wLeXC=1wC.X_L = vL \quad \text{e} \quad X_C = \frac{1}{vC}.

A corrente eficaz (rms) é:

Irms=ΔVrmsZ.I_{rms} = \frac{\Delta V_{rms}}{Z}.

Na ressonância, XL=XCX_L = X_C, logo:

w0L=1w0Cw0=1LC.v_0 L = \frac{1}{v_0 C} \quad \Rightarrow \quad v_0 = \frac{1}{\sqrt{LC}}.

Propriedades da ressonância:

  • A impedância atinge o mínimo Z=RZ = R.

  • A corrente rms atinge o máximo:

Irms=ΔVrmsR.I_{rms} = \frac{\Delta V_{rms}}{R}.

  • Corrente e tensão estão em fase (ângulo de fase ϕ=0\phi = 0).

Curva de ressonância:

  • A largura da curva (em frequência) está relacionada com a resistência.

  • Quanto menor a resistência, mais estreita e alta é a curva de corrente em função da frequência.

Fator de qualidade (Q):

Q=w0Δv=w0LRQ = \frac{v_0}{\Delta v} = \frac{v_0 L}{R}

onde Δv\Delta v é a largura da curva a meia-potência (half-power points).

Aplicações práticas:

  • Circuitos de sintonia em rádios.

  • Seleção de uma frequência específica num sinal complexo.

  • Em rádios, o condensador variável permite ajustar a frequência de ressonância para captar diferentes estações.

Ideia central: A ressonância permite maximizar a resposta de corrente para uma frequência específica e filtrar todas as outras.


33.8 O Transformador e a Transmissão de Energia 

Os transformadores são dispositivos que mudam a tensão e a corrente alternada sem alterar significativamente a potência. São essenciais para a transmissão eficiente de energia elétrica a longas distâncias.

Estrutura:

  • Dois enrolamentos (primário e secundário) num núcleo de ferro.

  • O núcleo guia o fluxo magnético, garantindo acoplamento entre os enrolamentos.

Lei de Faraday:

Δv1=N1dΦBdt,Δv2=N2dΦBdt.\Delta v_1 = -N_1 \frac{d\Phi_B}{dt}, \quad \Delta v_2 = -N_2 \frac{d\Phi_B}{dt}.

Assumindo fluxo comum:

Δv2Δv1=N2N1.\frac{\Delta v_2}{\Delta v_1} = \frac{N_2}{N_1}.

Dois tipos principais:

  • Elevador de tensão: N2>N1N_2 > N_1, aumenta a tensão.

  • Redutor de tensão: N2<N1N_2 < N_1, reduz a tensão.

Conservação de potência (ideal):

I1Δv1=I2Δv2.I_1 \Delta v_1 = I_2 \Delta v_2.

Equivalência de resistências vistas do primário:

Req=(N1N2)2RL.R_{eq} = \left(\frac{N_1}{N_2}\right)^2 R_L.

Permite ajustar resistências para maximizar transferência de potência.

Transmissão de energia elétrica:

  • Alta tensão → Baixa corrente → Menores perdas I2RI^2 R.

  • Linhas de transmissão podem operar a centenas de quilovolts.

  • Subestações reduzem gradualmente a tensão para níveis seguros e úteis (ex.: 230 kV → 20 kV → 400 V → 230 V).

Eficiência: Transformadores reais têm eficácias elevadas (90%–99%).

Exemplos quotidianos:

  • Adaptadores de parede para aparelhos electrónicos.

  • Transformadores em redes de distribuição eléctrica.


33.9 Rectificadores e Filtros 

Muitos dispositivos electrónicos precisam de corrente contínua (DC) apesar de a rede fornecer corrente alternada (AC). Para isso usam-se rectificadores e filtros.

Rectificação:

  • Processo de conversão de AC em DC.

  • Principal elemento: díodo, que só conduz corrente num sentido.

  • Circuito típico: rectificador de meia-onda com díodo em série com a carga.

  • Resultado: corrente pulsante apenas numa direcção.

Filtro com condensador:

  • Adiciona-se um condensador em paralelo com a carga.

  • Suaviza a variação da tensão e corrente.

  • O condensador carrega-se quando a tensão sobe e descarrega-se lentamente, mantendo corrente na carga mesmo quando a entrada AC desce.

Problema do ripple:

  • Mesmo após filtragem, há uma pequena componente AC (ripple).

  • É importante reduzir o ripple para níveis insignificantes, especialmente em áudio para evitar hums (ex.: 50/60 Hz).

Filtros RC:

  • Circuitos específicos que deixam passar ou bloqueiam certas frequências.

  • Exemplo: filtro passa-alto RC.

    • Baixas frequências → tensão de saída muito menor que a entrada.

    • Altas frequências → saída ≈ entrada.

Aplicação: eliminar componentes de baixa frequência indesejadas e permitir sinais úteis de alta frequência.


33.10 Resumo

  • A corrente alternada (AC) varia sinusoidalmente, permitindo transporte eficiente de energia.

  • Em resistências, corrente e tensão estão em fase.

  • Em bobines, a corrente atrasa-se 90° em relação à tensão.

  • Em condensadores, a corrente antecipa-se 90° em relação à tensão.

  • A impedância combina resistência e reactâncias indutiva e capacitiva, dependendo da frequência.

  • Ressonância em circuitos série RLC ocorre quando XL=XCX_L = X_C, minimizando a impedância e maximizando a corrente.

  • Transformadores permitem alterar níveis de tensão e corrente para transmissão eficiente de energia.

  • Rectificadores convertem AC em DC, com filtros (normalmente com condensadores) para suavizar a saída.



Capa do Capítulo 33, do livro: Physics for Scientists and Engineers with Modern Physics, 9th Ed



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terça-feira, 8 de julho de 2025

Resumo extraído do Capítulo 32, do livro: Physics for Scientists and Engineers with Modern Physics, 9th Ed

Capítulo 32 – Indutância


32.1 Auto-indução e Indutância

Quando fechamos um circuito com uma fonte de força electromotriz (f.e.m.), um interruptor e uma resistência, a corrente não atinge imediatamente o valor final dado por ε/R. À medida que a corrente aumenta, o campo magnético gerado pela corrente cria um fluxo magnético através da área do circuito. Segundo a Lei de Faraday, esta variação de fluxo induz uma f.e.m. no próprio circuito.

A f.e.m. induzida tem sinal oposto à f.e.m. da bateria — por isso chama-se força contra-electromotriz — e resiste ao aumento da corrente, fazendo com que esta cresça de forma gradual. Este fenómeno chama-se auto-indução, porque a variação de fluxo que causa a f.e.m. surge do próprio circuito.

A f.e.m. auto-induzida (eL) é proporcional à taxa de variação temporal da corrente:

eL=Ldidte_L = -L \frac{di}{dt}

onde L é a indutância, uma constante que depende da geometria do circuito (número de espiras, área, comprimento, etc.). Para um enrolamento de N espiras, com fluxo magnético Φ_B através de cada uma:

L=NΦBiL = \frac{N \Phi_B}{i}

A indutância mede a oposição a variações de corrente, de forma semelhante ao modo como a resistência mede a oposição ao fluxo de corrente. A unidade SI de indutância é o henry (H), definido como 1 V·s/A.

O exemplo clássico é o solenoide de N espiras, comprimento ℓ (muito maior que o raio) e área A:

L=μ0N2AL = \mu_0 \frac{N^2 A}{\ell}

Este exemplo mostra que L depende fortemente do número de espiras ao quadrado e da geometria do enrolamento. A analogia com a capacitância (dependência da geometria das placas) e com a resistência (dependência do comprimento e área do condutor) é salientada.


32.2 Circuitos RL

Um circuito RL contém uma resistência e uma bobine (indutor) ligadas em série a uma fonte de f.e.m. A presença de uma bobine impede mudanças instantâneas na corrente. Quando se fecha o interruptor, a corrente começa em zero e cresce de forma exponencial, pois a força contra-electromotriz da bobine opõe-se ao aumento.

Aplicando a lei das malhas de Kirchhoff:

εiRLdidt=0\varepsilon - iR - L \frac{di}{dt} = 0

Resolvendo a equação diferencial obtém-se:

i(t)=εR(1et/τ)i(t) = \frac{\varepsilon}{R} \left(1 - e^{-t/\tau}\right)

com a constante de tempo:

τ=LR\tau = \frac{L}{R}

Esta constante representa o tempo necessário para a corrente atingir 63,2% do valor final (ε/R). Quanto maior a indutância L ou menor a resistência R, mais lenta será a resposta do circuito.

Quando a fonte é desligada (substituída por um curto-circuito), o circuito passa a ter apenas a resistência e a bobine. A corrente decresce exponencialmente:

i(t)=Iiet/τi(t) = I_i e^{-t/\tau}

A bobine impede que a corrente caia instantaneamente a zero. A força contra-electromotriz gerada tenta manter a corrente, libertando a energia armazenada no campo magnético.

Em resumo, a bobine «suaviza» as variações de corrente, criando uma resposta "preguiçosa" ou atrasada às mudanças de tensão.


32.3 Energia num Campo Magnético

Quando uma bobine conduz corrente, armazena energia no seu campo magnético. Parte da energia fornecida pela fonte é dissipada em calor na resistência, mas parte é armazenada como energia magnética na bobine.

A taxa de fornecimento de energia pela fonte é:

εi=iR+Lididt\varepsilon i = iR + L i \frac{di}{dt}

O termo iRiR é a potência dissipada como calor. Já LididtL i \frac{di}{dt} corresponde à taxa de armazenamento de energia na bobine. Integrando, obtém-se a energia total armazenada:

UB=12Li2U_B = \frac{1}{2} L i^2

Esta forma é análoga à energia armazenada num condensador:

UE=12CV2U_E = \frac{1}{2} C V^2

Para um solenoide (ou outra distribuição de campo magnético conhecido), podemos calcular a densidade de energia magnética (energia por unidade de volume):

uB=B22μ0u_B = \frac{B^2}{2\mu_0}

Este resultado mostra que a energia armazenada no campo magnético depende do quadrado da intensidade do campo, de forma semelhante à densidade de energia num campo eléctrico.

Um exemplo trabalhado no texto demonstra que quando a bobine descarrega (por exemplo, num circuito RL isolado), toda a energia inicialmente armazenada no campo magnético se converte em energia interna (calor) na resistência.


32.4 Indutância Mútua

Nesta secção, introduz-se o conceito de indutância mútua. Quando há dois circuitos próximos, a corrente variável num deles pode induzir uma f.e.m. no outro, porque o campo magnético de um atravessa a área do outro.

Imagina duas bobinas próximas (bobina 1 e bobina 2):

  • A corrente i₁ em 1 cria um campo magnético. Parte desse campo atravessa a área de 2, gerando fluxo magnético Φ₁₂ em 2.

  • Se i₁ varia no tempo, Φ₁₂ varia, induzindo uma f.e.m. em 2.

Define-se indutância mútua M₁₂ como:

M12=N2Φ12i1M_{12} = \frac{N_2 \Phi_{12}}{i_1}

onde N₂ é o número de espiras da bobina 2.

A f.e.m. induzida em 2 devido a i₁ é:

ε2=M12di1dt\varepsilon_2 = -M_{12} \frac{di_1}{dt}

Analogamente, se i₂ em 2 variar, induz uma f.e.m. em 1:

ε1=M21di2dt\varepsilon_1 = -M_{21} \frac{di_2}{dt}

Pode-se demonstrar que M₁₂ = M₂₁ = M, porque depende apenas da geometria mútua dos circuitos e das suas orientações.

A unidade de indutância mútua é o henry (H), como na auto-indução.

Exemplo prático: carregadores sem fios. Uma bobina na base (primária) cria um campo magnético variável, induzindo corrente na bobina do aparelho (secundária).


32.5 Oscilações num Circuito LC

Nesta secção estuda-se o circuito LC ideal: um condensador ligado a uma bobine, sem resistência e sem radiação electromagnética.

  • Supondo o condensador inicialmente carregado (carga Q_max), quando o circuito se fecha, a energia armazenada no campo eléctrico do condensador começa a transferir-se para a bobine.

  • À medida que o condensador se descarrega, a corrente aumenta, armazenando energia no campo magnético da bobine.

  • Quando o condensador está totalmente descarregado, a energia está toda na bobine.

  • A corrente continua, recarregando o condensador com polaridade oposta.

Este processo repete-se, criando oscilações electromagnéticas entre energia eléctrica (condensador) e magnética (bobine).

Matematicamente:

  • A equação diferencial do circuito é:

d2qdt2+1LCq=0\frac{d^2q}{dt^2} + \frac{1}{LC} q = 0

  • Solução:

q(t)=Qmaxcos(ωt+ϕ)q(t) = Q_{\text{max}} \cos(\omega t + \phi)

onde

ω=1LC\omega = \frac{1}{\sqrt{LC}}

é a frequência angular natural das oscilações.

  • A corrente é:

i(t)=dqdt=ωQmaxsin(ωt+ϕ)i(t) = \frac{dq}{dt} = -\omega Q_{\text{max}} \sin(\omega t + \phi)

Observa-se que carga e corrente estão desfasadas de 90°: quando a carga é máxima, a corrente é zero e vice-versa.

A energia total do circuito (conservada no ideal):

U=12CV2+12Li2U = \frac{1}{2} C V^2 + \frac{1}{2} L i^2

oscila entre o campo eléctrico do condensador e o campo magnético da bobine, mas permanece constante no tempo se não houver perdas.

Analogia mecânica: é como um sistema massa–mola sem atrito, em oscilação harmónica simples.


32.6 O Circuito RLC

Aqui estuda-se o circuito RLC em série (resistência R, bobine L e condensador C).

Ao contrário do LC ideal:

  • A resistência provoca dissipação de energia.

  • A energia armazenada no campo eléctrico do condensador e no campo magnético da bobine diminui com o tempo, transformando-se em energia interna (calor) na resistência.

A equação diferencial que descreve o circuito é:

Ld2qdt2+Rdqdt+qC=0L \frac{d^2q}{dt^2} + R \frac{dq}{dt} + \frac{q}{C} = 0

Esta é matematicamente equivalente à equação de movimento de um oscilador harmónico amortecido:

md2xdt2+bdxdt+kx=0m \frac{d^2x}{dt^2} + b \frac{dx}{dt} + kx = 0

onde:

  • q ↔ posição x

  • i ↔ velocidade dx/dt

  • L ↔ massa m

  • R ↔ coeficiente de atrito b

  • 1/C ↔ constante elástica k

Solução para amortecimento fraco (R pequeno):

q(t)=QmaxeRt/2Lcos(vdt)q(t) = Q_{\text{max}} e^{-Rt/2L} \cos(v_d t)

com

vd=1LC(R2L)2v_d = \sqrt{\frac{1}{LC} - \left(\frac{R}{2L}\right)^2}

 As oscilações são amortecidas: a amplitude decai exponencialmente com o tempo.

 Para valores altos de R, as oscilações podem desaparecer totalmente (sobreamortecimento ou amortecimento crítico).

O comportamento geral do circuito RLC inclui:

  • Oscilações amortecidas (R pequeno).

  • Resposta crítica ou sobreamortecida (R grande).


32.7 Resumo

  • A auto-indução L mede a oposição de um circuito a variações de corrente:

eL=Ldidte_L = -L \frac{di}{dt}

  • A energia armazenada num campo magnético é:

UB=12Li2U_B = \frac{1}{2} L i^2

  • A densidade de energia magnética (no campo B):

uB=B22μ0u_B = \frac{B^2}{2\mu_0}

  • Indutância mútua M relaciona as f.e.m. induzidas entre dois circuitos:

ε2=Mdi1dt,ε1=Mdi2dt\varepsilon_2 = -M \frac{di_1}{dt}, \quad \varepsilon_1 = -M \frac{di_2}{dt}

  • Circuito RL: apresenta resposta retardada à variação de corrente, com constante de tempo τ = L/R.

  • Circuito LC: oscilações sinusoidais ideais, sem perdas:

ω=1LC\omega = \frac{1}{\sqrt{LC}}

  • Circuito RLC: oscilações amortecidas, com energia dissipada na resistência.


Capa do Capítulo 31, do livro: Physics for Scientists and Engineers with Modern Physics, 9th Ed




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sábado, 5 de julho de 2025

Resumo extraído do Capítulo 31, do livro: Physics for Scientists and Engineers with Modern Physics, 9th Ed

Capítulo 31 – Lei de Faraday



31.1 – Lei da Indução de Faraday

Esta secção introduz a descoberta de Faraday de que um campo magnético variável no tempo pode induzir uma corrente eléctrica num circuito. Experiências simples com uma espira de fio e um íman mostram que mover o íman em relação à espira gera uma corrente detectável. A corrente só aparece quando há variação do fluxo magnético (e não com campos magnéticos constantes), sendo chamada de corrente induzida, e surge devido a uma força electromotriz (fem) induzida.

A lei de Faraday quantifica este fenómeno:

  • Para uma espira:
    E=dΦBdt\mathcal{E} = -\dfrac{d\Phi_B}{dt}

  • Para uma bobina com NN espiras:
    E=NdΦBdt\mathcal{E} = -N\dfrac{d\Phi_B}{dt}

O fluxo magnético ΦB\Phi_B é dado por:

ΦB=BA=BAcosθ\Phi_B = \vec{B} \cdot \vec{A} = BA\cos\theta

e pode variar:

  • pela mudança do campo magnético BB,

  • pela mudança da área da espira,

  • pela mudança da orientação entre o campo e a espira.

Apresentam-se aplicações práticas como o interruptor de circuito por falha à terra (GFCI) e as bobinas de captação de guitarras eléctricas, que funcionam com base na indução de fem por variação de fluxo magnético.


31.2 – Fem de Movimento 

Esta secção analisa a indução de fem em condutores em movimento dentro de campos magnéticos constantes. Um condutor rectilíneo que se move perpendicularmente a um campo magnético sofre uma separação de cargas devido à força magnética sobre os electrões, criando um campo eléctrico interno e uma diferença de potencial:

ΔV=Bv\Delta V = B\ell v

Quando este condutor faz parte de um circuito fechado (por exemplo, uma barra a deslizar sobre calhas condutoras), há corrente induzida e podem aplicar-se as leis de Faraday e da conservação de energia:

  • A fem induzida é:

    E=Bv\mathcal{E} = -B\ell v
  • A corrente induzida:

    I=BvRI = \dfrac{B\ell v}{R}

A força necessária para manter a barra a mover-se com velocidade constante deve compensar a força magnética (contrária ao movimento), garantindo conservação da energia:

P=Faplicadav=E2RP = F_{\text{aplicada}} v = \dfrac{\mathcal{E}^2}{R}

Exemplos analisados incluem a barra deslizante e uma barra rotativa num campo magnético, mostrando como a velocidade angular ou linear influencia a fem gerada.


31.3 – Lei de Lenz

A Lei de Lenz dá ao sinal negativo da Lei de Faraday um significado físico: a corrente induzida flui de forma a opor-se à variação do fluxo magnético que a causou. Isto está intimamente ligado ao princípio da conservação da energia.

  • Se o fluxo aumenta, a corrente induzida cria um campo que se opõe ao aumento.

  • Se o fluxo diminui, a corrente induzida cria um campo que tenta manter o fluxo original.

Exemplos incluem:

  • A barra a mover-se numa calha com campo constante: se o fluxo aumenta, a corrente opõe-se, gerando uma força contrária ao movimento.

  • Um íman a aproximar-se de uma espira: o sentido da corrente depende de se o fluxo está a aumentar ou diminuir.

Apresenta-se também o paradoxo energético: se a corrente não se opusesse à variação de fluxo, poder-se-ia criar energia a partir do nada, violando a conservação da energia. Assim, a lei de Lenz garante que a energia seja conservada.


31.4 – Fem Induzida e Campos Eléctricos

Nesta secção, explora-se como um campo magnético variável no tempo induz um campo eléctrico, mesmo na ausência de um fio condutor. A corrente induzida numa espira metálica é causada por um campo eléctrico induzido que age sobre as cargas no fio. Este campo não é conservativo (ao contrário do campo electrostático), pois o trabalho realizado ao mover uma carga à volta de um percurso fechado não é zero.

A indução do campo eléctrico é consequência directa da Lei de Faraday. Considerando uma espira circular de raio rr, quando o fluxo magnético varia com o tempo, surge um campo eléctrico E\vec{E}, tangente à espira, tal que:

Eds=dΦBdt\oint \vec{E} \cdot d\vec{s} = -\dfrac{d\Phi_B}{dt}

O campo eléctrico induzido depende da variação temporal do fluxo e não da presença de cargas. Esta propriedade é fundamental para a compreensão das ondas electromagnéticas, onde campos eléctricos e magnéticos se induzem mutuamente.


31.5 – Geradores e Motores

Aqui são descritos os princípios de funcionamento dos geradores e motores eléctricos, ambos baseados na Lei de Faraday.

  • Geradores de corrente alternada (AC): um laço de fio é feito rodar num campo magnético, o que provoca uma variação periódica do fluxo e, consequentemente, uma fem sinusoidal:

    E=NBAvsin(ωt)\mathcal{E} = NBAv \sin(\omega t)
  • Geradores de corrente contínua (DC): usam um comutador que inverte as ligações a cada meia rotação, de forma a manter a polaridade constante, embora a tensão varie em valor.

Os motores eléctricos funcionam de forma inversa: recebem energia eléctrica e convertem-na em trabalho mecânico. À medida que o motor acelera, gera uma força contra-electromotriz que reduz a corrente de entrada.

Exemplo aplicado: quando um motor é bloqueado (por exemplo, numa serra), a corrente aumenta significativamente, o que pode danificar o equipamento devido ao aquecimento excessivo.


31.6 – Correntes de Foucault 

As correntes de Foucault são correntes circulares induzidas em massas metálicas (não em fios) em movimento através de campos magnéticos. Estas correntes criam campos magnéticos opostos à variação que as gerou, de acordo com a Lei de Lenz.

Exemplo clássico: uma placa metálica a oscilar entre os polos de um íman. As correntes de Foucault geram forças magnéticas que travam o movimento, levando eventualmente à paragem. Se a placa tiver cortes ou ranhuras, estas correntes são suprimidas, reduzindo o efeito de travagem.

Aplicações:

  • Travões electromagnéticos em comboios e metros.

  • Dispositivos de segurança (ex. serras) que usam estas correntes para parar rapidamente peças móveis.

  • Para reduzir perdas energéticas (aquecimento), as peças condutoras em transformadores e motores são laminadas, ou seja, feitas em camadas finas separadas por materiais isolantes.


Resumo

  • A Lei de Faraday estabelece que a fem induzida é proporcional à variação temporal do fluxo magnético:

    E=dΦBdt\mathcal{E} = -\dfrac{d\Phi_B}{dt}
  • A Lei de Lenz indica que a corrente induzida opõe-se à causa que a gera, garantindo a conservação da energia.

  • Um campo magnético variável no tempo pode induzir um campo eléctrico não conservativo.

  • A fem de movimento é induzida quando um condutor se move num campo magnético:

    E=Bv\mathcal{E} = B\ell v
  • Geradores e motores baseiam-se na variação do fluxo magnético e no aproveitamento da energia eléctrica e mecânica.

  • As correntes de Foucault são efeitos secundários importantes, podendo ser úteis (travagem) ou indesejáveis (perdas energéticas).





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segunda-feira, 19 de maio de 2025

Resumo extraído do Capítulo 28, do livro: Physics for Scientists and Engineers with Modern Physics, 9th Ed

Capítulo 28 – Corrente contínua

Secção 28.1 – Força Electromotriz (f.e.m.)
Nesta secção introduz-se o conceito de força electromotriz (f.e.m.) como a diferença de potencial máxima que uma fonte (por exemplo, uma bateria) pode fornecer entre os seus terminais, denotada por E\mathcal{E}. Embora o termo “força” seja histórico — pois a f.e.m. não é uma força mas sim uma tensão — pode entender-se a fonte de f.e.m. como uma “bomba de cargas” que eleva as cargas do potencial mais baixo para o mais alto dentro da bateria.

Num circuito real, a bateria apresenta uma resistência interna rr, de modo que a tensão nos terminais, VtermV_{\text{term}}, difere da f.e.m. quando há corrente. A relação fundamental é

Vterm=EIr,V_{\text{term}} = \mathcal{E} - I\,r,

onde II é a corrente do circuito. Assim, quando o circuito está em circuito aberto (I=0I=0), Vterm=EV_{\text{term}} = \mathcal{E} (tensão em vazio), mas quando a corrente circula, parte da energia é dissipada internamente na bateria.

Combinando-se com a lei de Ohm para a resistência externa RR, obtém-se

E=IR+IrI=ER+r.\mathcal{E} = I R + I r \quad\Longrightarrow\quad I = \frac{\mathcal{E}}{R + r}.

Multiplicando por II vemos ainda que a potência total fornecida pela fonte, IEI\mathcal{E}, divide-se entre I2RI^2 R no circuito externo e I2rI^2 r na resistência interna. Para maximizar a potência útil, deve minimizar-se rr.



Secção 28.2 – Resistências em Série e em Paralelo
Descreve-se primeiro a montagem em série, onde resistências R1,R2,R_1, R_2, \dots partilham a mesma corrente II. A tensão total divide-se pelas resistências, resultando numa resistência equivalente

Req=R1+R2+,R_{\mathrm{eq}} = R_1 + R_2 + \cdots,

sempre maior do que qualquer resistência individual. Uma falha em série causa circuito aberto e interrompe toda a corrente.

Em seguida analisa-se a montagem em paralelo, em que todos as resistências estão sujeitos à mesma tensão VV mas a corrente divide-se em cada ramo. A resistência equivalente satisfaz

1Req=1R1+1R2+,\frac{1}{R_{\mathrm{eq}}} = \frac{1}{R_1} + \frac{1}{R_2} + \cdots,

sendo ReqR_{\mathrm{eq}} sempre inferior à mais pequena das resistências. Neste esquema, uma falha num ramo não impede a corrente nos restantes.

São também discutidas aplicações práticas: em paralelo, cada aparelho doméstico opera independentemente sob a mesma tensão; em série, como nos pequenos enfeites de Natal, usa-se um jumper interno para manter o circuito mesmo quando um filamento queima, mas isso aumenta a corrente nos restantes.



Secção 28.3 – Leis de Kirchhoff
Para circuitos mais complexos, que não se reduzem a simples séries ou paralelos, aplicam-se as duas leis de Kirchhoff:

  1. Lei dos Nós: a soma algébrica das correntes num nó (ponto de ramificação) é zero, refletindo a conservação de carga:
    IentradasIsaıˊdas=0.\sum I_{\text{entradas}} - \sum I_{\text{saídas}} = 0.

  2. Lei das Malhas: ao percorrer uma malha fechada, a soma das diferenças de potencial é nula, expressando a conservação de energia:
    ΔV=0.\sum \Delta V = 0.

Para aplicar, escolhe-se direções arbitrárias para as correntes e percorrem-se laços assumindo sinal positivo para subidas de potencial (por exemplo, atravessar a f.e.m. de – para +) e negativo para descidas (queda IRIR no sentido da corrente). Resolve-se então o sistema de equações lineares obtido, onde soluções negativas indicam correntes no sentido oposto ao assumido.

Este método geral permite analisar circuitos de múltiplos ramos e fontes, sendo essencial em casos de malhas e nós em número maior do que os casos tratáveis apenas com combinações série/paralelo.



Secção 28.4 – Circuitos RC

Num circuito RC em série, uma resistência R e um condensador C estão ligados a uma fonte de emf E\mathcal{E} através de um interruptor. Existem dois casos distintos:

  1. Carregamento do condensador

    • No instante em que o interruptor é colocado na posição de carga (t=0t=0), o condensador está descarregado (q=0q=0) e a corrente inicial máxima é

      Ii=ER.I_i=\frac{\mathcal{E}}{R}.

    • À medida que o condensador acumula carga, a diferença de potencial q/Cq/C cresce, reduzindo a corrente segundo a equação diferencial

      EqCiR=0,i=dqdt.\mathcal{E}-\frac{q}{C}-iR=0,\quad i=\frac{\mathrm{d}q}{\mathrm{d}t}.

      Integrando, obtém-se

      q(t)=Qmax(1et/RC),Qmax=CE,q(t)=Q_{\max}\bigl(1-e^{-t/RC}\bigr),\quad Q_{\max}=C\mathcal{E}, i(t)=ERet/RC.i(t)=\frac{\mathcal{E}}{R}e^{-t/RC}.

      A constante de tempo do circuito é

      τ=RC,\tau=RC,

      e caracteriza o decaimento exponencial: após t=τt=\tau, a carga atinge 63,2 % de QmaxQ_{\max} e a corrente cai para 36,8 % de IiI_i.

  2. Descarregamento do condensador

    • Se, após carregado, o interruptor passa para a posição de descarga num circuito sem fonte de emf, a equação da malha torna-se

      qC+iR=0,i=dqdt.\frac{q}{C}+iR=0,\quad i=-\frac{\mathrm{d}q}{\mathrm{d}t}.

      A solução é

      q(t)=Qiet/RC,i(t)=QiRCet/RC,q(t)=Q_i\,e^{-t/RC},\quad i(t)=-\frac{Q_i}{RC}\,e^{-t/RC},

      onde QiQ_i é a carga inicial do condensador e o sinal negativo em i(t)i(t) indica que a corrente flui no sentido oposto ao do carregamento.



Secção 28.5 – Instalações Elétricas Domésticas e Segurança

  1. Ligação da rede

    • A empresa de energia fornece duas fases em paralelo: o fio “vivo” (aprox. 230 V) e o fio neutro (0 V). Um contador mede a energia no fio vivo antes de o circuito interior se subdividir em vários ramos, cada um protegido por fusíveis ou disjuntores dimensionados para a corrente máxima do ramo.

    • Num circuito típico, aparelhos como uma torradeira (1 000 W), micro-ondas (1 300 W) e cafeteira (800 W) são ligados em paralelo consomem correntes individuais.

  2. Proteções e riscos

    • Curto-circuito: contacto acidental do fio vivo com terra ou neutro produz corrente muito elevada e dispara o disjuntor, evitando sobreaquecimento.

    • Fio de terra: em tomadas de três pinos, o terceiro fio liga a carcaça dos aparelhos à terra; em caso de fuga do fio vivo ao chassis, a corrente prefere esse caminho de baixa resistência, poupando o utilizador a choque elétrico.

    • GFCI (Ground-Fault Circuit Interrupter): usado em zonas húmidas (cozinhas, casas de banho), desliga o circuito em <1 ms ao detetar fugas de corrente, protegendo contra choques elétricos.

    • Efeitos no corpo humano: correntes ≤5 mA provocam apenas formigueiro; entre 10 mA e 100 mA podem causar contrações musculares e paragem respiratória; correntes de ≈1 A produzem queimaduras graves e podem ser fatais. Contacto com água ou superfícies metálicas aumenta o risco.


Resumo do Capítulo 28

  • Força electromotriz (f.e.m.) E\mathcal{E}: tensão máxima que uma fonte fornece em vazio; tensão aos terminais em carga:

    Vterm=EIr.V_{\rm term}=\mathcal{E}-I\,r.
  • Resistências em série e paralelo:

    Req(seˊrie)=iRi,1Req(par)=i1Ri.R_{\rm eq}^{(\text{série})}=\sum_i R_i, \quad \frac{1}{R_{\rm eq}^{(\text{par})}}=\sum_i\frac{1}{R_i}.
  • Leis de Kirchhoff:

    1. Lei dos Nós: Ientr=Isai\sum I_{\rm entr}=\sum I_{\rm sai}.

    2. Lei das Malhas: ΔV=0\sum\Delta V=0 em cada malha, com sinais conforme o sentido da corrente e polaridade das fontes.

  • Circuitos RC:

    • Carregamento:
      q(t)=CE(1et/RC),i(t)=ERet/RC.\displaystyle q(t)=C\mathcal{E}(1-e^{-t/RC}),\quad i(t)=\tfrac{\mathcal{E}}{R}e^{-t/RC}.

    • Descarregamento:
      q(t)=Qiet/RC,i(t)=QiRCet/RC.\displaystyle q(t)=Q_i\,e^{-t/RC},\quad i(t)=-\tfrac{Q_i}{RC}e^{-t/RC}.


 



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