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sábado, 30 de agosto de 2025

Resumo extraído do Capítulo 1 do livro: Elements of Electromagnetics — Sadiku & Matthew N. O., 7ed

Capítulo 1 - Álgebra vectorial


1.1 Introdução

O eletromagnetismo é definido como o estudo das interações entre cargas elétricas, quer em repouso, quer em movimento. A disciplina envolve a análise, síntese, interpretação física e aplicação dos campos elétricos e magnéticos, constituindo um ramo essencial da física e da engenharia eletrotécnica.

Os princípios do eletromagnetismo têm aplicações em múltiplas áreas, como micro-ondas, antenas, comunicações por satélite, bioeletromagnetismo, plasmas, investigação nuclear, fibras óticas, compatibilidade eletromagnética, máquinas elétricas, conversão eletromecânica de energia, meteorologia por radar e deteção remota.

Exemplos práticos incluem:

  • Uso de micro-ondas ou ondas curtas na medicina para estimular tecidos e tratar certas condições;

  • Aquecimento indutivo para processos de fusão, forjamento ou soldadura;

  • Aquecimento dielétrico para unir plásticos;

  • Aplicações agrícolas, como a alteração do sabor de vegetais.

Os dispositivos eletromagnéticos mais comuns incluem transformadores, relés, motores, linhas de transmissão, guias de onda, antenas, fibras óticas, radares e lasers. O seu projeto requer conhecimento profundo das leis e princípios do eletromagnetismo.

O autor recorda que o comportamento eletromagnético pode ser descrito de forma compacta pelas Equações de Maxwell, que relacionam as grandezas vetoriais fundamentais: campo elétrico (E), campo magnético (H), densidade de fluxo elétrico (D), densidade de fluxo magnético (B), densidade de carga (ρv) e densidade de corrente (J).


1.2 Uma Antevisão do Livro

O livro está organizado em quatro partes principais:

  1. Parte 1 – Introduz as ferramentas matemáticas necessárias, em particular a álgebra vetorial, já que as equações do eletromagnetismo envolvem grandezas vetoriais.

  2. Parte 2 – Apresenta a dedução das equações de Maxwell em condições invariantes no tempo, bem como o significado físico das grandezas E, D, H, B, J e ρv.

  3. Parte 3 – Explora aplicações dessas equações em situações práticas.

  4. Parte 4 – Reexamina as equações no caso dependente do tempo e aplica-as a dispositivos como linhas de transmissão, guias de onda, antenas, fibras óticas e radares.

O objetivo é conduzir o leitor de uma base matemática sólida até às aplicações práticas modernas da teoria eletromagnética.


1.3 Escalares e Vetores

Esta secção introduz a análise vetorial como ferramenta matemática indispensável para descrever conceitos eletromagnéticos. Antes de a aplicar, é necessário compreender as suas regras e técnicas.

  • Escalares: grandezas totalmente descritas pela sua magnitude. Exemplos: tempo, massa, distância, temperatura, entropia, potencial elétrico, população.

  • Vetores: grandezas descritas por magnitude e direção no espaço. Exemplos: velocidade, força, aceleração, deslocamento, intensidade de campo elétrico.

  • Tensores: constituem uma classe mais geral de grandezas, da qual escalares e vetores são casos particulares (embora o livro se foque principalmente nestes últimos).

A notação distingue vetores de escalares:

  • Vetores: representados por letras com uma seta por cima (A→) ou a negrito (A).

  • Escalares: representados por letras normais (A, B, U, V).

Introduz-se ainda o conceito de campo:

  • Um campo é uma função que especifica um valor (escalar ou vetorial) em cada ponto de uma região do espaço (e possivelmente do tempo).

  • Campos escalares: temperatura num edifício, intensidade sonora numa sala, potencial elétrico, índice de refração.

  • Campos vetoriais: campo gravitacional, velocidade de gotas de chuva, campo elétrico.

A teoria do eletromagnetismo é essencialmente o estudo de campos elétricos e magnéticos que variam no espaço e no tempo.


1.4 Vetor Unitário

Um vetor é caracterizado pela sua magnitude e direção.

  • A magnitude de um vetor A é um escalar denotado por A|A| ou simplesmente A.

  • Um vetor unitário é definido como um vetor de magnitude igual a 1, que aponta na mesma direção de A. É escrito como:

aA=AAa_A = \frac{A}{|A|}

Assim, qualquer vetor pode ser expresso como:

A=AaAA = A \, a_A

ou seja, magnitude multiplicada pelo vetor unitário que indica a sua direção.

Em coordenadas cartesianas, um vetor A pode ser representado de duas formas:

A=(Ax,Ay,Az)ouA=Axax+Ayay+AzazA = (A_x, A_y, A_z) \quad \text{ou} \quad A = A_x a_x + A_y a_y + A_z a_z

onde ax,ay,aza_x, a_y, a_z são os vetores unitários nas direções dos eixos x, y e z, respetivamente.

  • Estes vetores unitários são dimensionais, de magnitude 1, e indicam a direção positiva de cada eixo.

  • A magnitude de A é obtida pela fórmula pitagórica:

A=Ax2+Ay2+Az2|A| = \sqrt{A_x^2 + A_y^2 + A_z^2}

  • O vetor unitário na direção de A é:

aA=Axax+Ayay+AzazAx2+Ay2+Az2a_A = \frac{A_x a_x + A_y a_y + A_z a_z}{\sqrt{A_x^2 + A_y^2 + A_z^2}}

Isto permite decompor qualquer vetor em componentes ao longo de cada eixo do sistema cartesiano.


1.5 Adição e Subtração de Vetores

Dois vetores podem ser somados ou subtraídos:

  • A soma de dois vetores A+B=CA + B = C resulta num vetor obtido somando as componentes correspondentes:

C=(Ax+Bx)ax+(Ay+By)ay+(Az+Bz)azC = (A_x + B_x)a_x + (A_y + B_y)a_y + (A_z + B_z)a_z

  • A diferença entre dois vetores é definida como:

D=AB=(AxBx)ax+(AyBy)ay+(AzBz)azD = A - B = (A_x - B_x)a_x + (A_y - B_y)a_y + (A_z - B_z)a_z

Graficamente, estas operações podem ser representadas por dois métodos:

  1. Regra do paralelogramo – constrói-se um paralelogramo com lados correspondentes a A e B; a diagonal representa a soma.

  2. Regra cabeça-cauda – coloca-se a cabeça de um vetor na cauda do outro; o vetor resultante vai da cauda do primeiro até à cabeça do segundo.

Propriedades da adição e subtração de vetores:

  • Comutativa: A+B=B+AA + B = B + A

  • Associativa: A+(B+C)=(A+B)+CA + (B + C) = (A + B) + C

  • Distributiva: k(A+B)=kA+kBk(A + B) = kA + kB, onde kk é um escalar

Estas leis mostram que os vetores obedecem a regras algébricas semelhantes às dos números escalares.


1.6 Vetores de Posição e de Distância

Um ponto P no espaço cartesiano é representado por coordenadas (x,y,z)(x, y, z).

  • O vetor de posição de P, denotado por rPr_P, é o vetor que liga a origem OO a PP:

rP=xax+yay+zazr_P = x a_x + y a_y + z a_z

Este vetor indica a posição do ponto no espaço.

  • O vetor de distância (ou de deslocamento) entre dois pontos P(xP,yP,zP)P(x_P, y_P, z_P) e Q(xQ,yQ,zQ)Q(x_Q, y_Q, z_Q) é dado por:

rPQ=rQrP=(xQxP)ax+(yQyP)ay+(zQzP)azr_{PQ} = r_Q - r_P = (x_Q - x_P)a_x + (y_Q - y_P)a_y + (z_Q - z_P)a_z

A magnitude deste vetor corresponde à distância entre os dois pontos:

d=rPQ=(xQxP)2+(yQyP)2+(zQzP)2d = |r_{PQ}| = \sqrt{(x_Q - x_P)^2 + (y_Q - y_P)^2 + (z_Q - z_P)^2}

Diferença entre ponto e vetor:

  • Um ponto P(x,y,z)P(x, y, z) não é um vetor por si só; o que é vetor é o vetor de posição que liga a origem a esse ponto.

  • No entanto, um vetor pode depender da posição de um ponto (por exemplo, campos vetoriais).

Vetores constantes vs. variáveis:

  • Um vetor é constante (uniforme) se não depende de x,y,zx, y, z.

  • É variável (não uniforme) se os seus valores mudam de ponto para ponto.

Exemplo:

  • B=3ax2ay+10azB = 3a_x - 2a_y + 10a_z → vetor uniforme.

  • A=2xyax+y2ayxz2azA = 2xy a_x + y^2 a_y - xz^2 a_z → vetor não uniforme.


1.7 Multiplicação de Vetores

A multiplicação de vetores pode produzir dois tipos de resultados: um escalar ou um vetor, dependendo da operação. Existem quatro formas principais:

(A) Produto Escalar (ou Produto Interno)

O produto escalar de dois vetores AA e BB é definido como:

AB=ABcosθA \cdot B = |A||B| \cos\theta

onde θ\theta é o ângulo entre os vetores. O resultado é um escalar.

  • Em termos de componentes:

AB=AxBx+AyBy+AzBzA \cdot B = A_x B_x + A_y B_y + A_z B_z

  • Propriedades:

    • Comutativo: AB=BAA \cdot B = B \cdot A

    • Distributivo: A(B+C)=AB+ACA \cdot (B + C) = A \cdot B + A \cdot C

    • AA=A2A \cdot A = |A|^2

  • Dois vetores são ortogonais se AB=0A \cdot B = 0.


(B) Produto Vetorial (ou produto externo)

O produto vetorial de AA e BB é um vetor definido por:

A×B=ABsinθanA \times B = |A||B| \sin\theta \, a_n

onde ana_n é o vetor unitário perpendicular ao plano formado por AA e BB, seguindo a regra da mão direita.

  • Em termos de determinante:

A×B=axayazAxAyAzBxByBzA \times B = \begin{vmatrix} a_x & a_y & a_z \\ A_x & A_y & A_z \\ B_x & B_y & B_z \end{vmatrix}

  • Propriedades:

    • Não comutativo: A×B=(B×A)A \times B = - (B \times A)

    • Não associativo: A×(B×C)(A×B)×CA \times (B \times C) \neq (A \times B) \times C

    • Distributivo: A×(B+C)=A×B+A×CA \times (B + C) = A \times B + A \times C

    • A×A=0A \times A = 0

    • Segue a regra cíclica: ax×ay=aza_x \times a_y = a_z, ay×az=axa_y \times a_z = a_x, az×ax=aya_z \times a_x = a_y.


(C) Produto Triplo Escalar

Dado três vetores A,B,CA, B, C, define-se:

A(B×C)A \cdot (B \times C)

O resultado é um escalar, que corresponde ao volume do paralelepípedo formado pelos três vetores. Em forma de determinante:

A(B×C)=AxAyAzBxByBzCxCyCzA \cdot (B \times C) = \begin{vmatrix} A_x & A_y & A_z \\ B_x & B_y & B_z \\ C_x & C_y & C_z \end{vmatrix}


(D) Produto Triplo Vetorial

Definido como:

A×(B×C)=B(AC)C(AB)A \times (B \times C) = B(A \cdot C) - C(A \cdot B)

Conhecido como a regra “bac-cab”. O resultado é um vetor.


1.8 Componentes de um Vetor

O produto escalar pode ser usado para calcular a projeção (ou componente) de um vetor numa direção:

  • Componente escalar de AA ao longo de BB:

AB=AaBA_B = A \cdot a_B

onde aBa_B é o vetor unitário na direção de BB.

  • Componente vetorial de AA ao longo de BB:

AB=(AaB)aBA_B = (A \cdot a_B) a_B

Assim, qualquer vetor pode ser decomposto em duas componentes ortogonais:

  • uma paralela a BB,

  • outra perpendicular a BB.

Observação importante: a divisão de vetores não é definida em geral, exceto quando A=kBA = kB. Diferenciação e integração de vetores serão estudadas mais tarde.


Resumo

A secção final do capítulo sintetiza os conceitos apresentados:

  1. Um campo é uma função que especifica uma quantidade em cada ponto do espaço. Pode ser escalar (ex.: V(x,y,z)V(x,y,z)) ou vetorial (ex.: A(x,y,z)A(x,y,z)).

  2. Um vetor AA é especificado pela sua magnitude e pelo vetor unitário na sua direção (A=AaAA = |A| a_A).

  3. A multiplicação de dois vetores pode resultar em:

    • um escalar (produto escalar: AB=ABcosθA \cdot B = |A||B|\cos\theta),

    • ou um vetor (produto vetorial: A×B=ABsinθanA \times B = |A||B|\sin\theta a_n).
      A multiplicação de três vetores pode originar:

    • um escalar (A(B×C)A \cdot (B \times C)),

    • ou um vetor (A×(B×C)A \times (B \times C)).

  4. A projeção escalar de AA em BB é AB=AaBA_B = A \cdot a_B. A projeção vetorial é AB=(AaB)aBA_B = (A \cdot a_B) a_B.

  5. O capítulo inclui ainda comandos MATLAB úteis:

    • dot(A,B) para produto escalar;

    • cross(A,B) para produto vetorial;

    • norm(A) para magnitude;

    • A/norm(A) para vetor unitário.


Capítulo 1 do livro: Elements of Electromagnetics — Sadiku & Matthew N. O., 7ed


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