Capítulo 2 - Sistemas de Coordenadas e transformações
2.1 Introdução
Nesta secção, o autor explica que as grandezas físicas em eletromagnetismo dependem do espaço e do tempo. Para descrever as variações espaciais dessas grandezas, é necessário identificar pontos no espaço de forma única através de um sistema de coordenadas.
Existem sistemas de coordenadas ortogonais (em que as superfícies coordenadas são perpendiculares entre si) e não ortogonais (pouco usados, devido à complexidade).
Exemplos de sistemas ortogonais: cartesiano (ou retangular), cilíndrico circular, esférico, elíptico cilíndrico, parabólico cilíndrico, cónico, prolato esferoidal, oblato esferoidal e elipsoidal.
Um problema difícil num sistema pode tornar-se simples noutro, o que justifica a escolha adequada do sistema de coordenadas.
Neste capítulo, o autor foca-se apenas nos três mais usados:
-
Cartesiano (x, y, z)
-
Cilíndrico circular (r, φ, z)
-
Esférico (r, θ, φ)
Os conceitos apresentados no sistema cartesiano no capítulo anterior também se aplicam aos outros sistemas. Por exemplo, o cálculo de produtos vetoriais é feito de forma análoga em qualquer sistema. Finalmente, o autor refere que muitas vezes é necessário transformar pontos e vetores de um sistema para outro, e que serão mostradas as técnicas para isso.
2.2 Coordenadas Cartesianas (x, y, z)
Um ponto pode ser representado por , onde cada variável varia no intervalo .
Um vetor é escrito como:
onde são vetores unitários ao longo dos eixos.
O sistema pode ser destro (mais comum) ou canhoto. No sistema destro, a regra da mão direita define a orientação entre os eixos.
Este sistema é adequado para problemas em que não existe simetria circular ou esférica. Serve como base para a generalização a outros sistemas de coordenadas.
2.3 Coordenadas Cilíndricas Circulares (r, φ, z)
Este sistema é muito útil quando há simetria cilíndrica, por exemplo em cabos coaxiais.
Um ponto é representado por , onde:
-
: distância radial ao eixo z,
-
: ângulo azimutal medido a partir do eixo x no plano xy,
-
: mesma coordenada que no sistema cartesiano.
Intervalos típicos:
Um vetor escreve-se como:
onde são vetores unitários mutuamente perpendiculares.
A magnitude do vetor é:
As relações de ortogonalidade e produtos vetoriais seguem a convenção de um sistema destro:
Transformações entre cartesiano e cilíndrico
-
De cartesiano para cilíndrico:
-
De cilíndrico para cartesiano:
Transformações de vetores
As componentes em cada sistema também podem ser relacionadas através de matrizes de transformação, permitindo converter vetores entre coordenadas cartesianas e cilíndricas.
2.4 Coordenadas Esféricas (r, θ, φ)
O sistema de coordenadas esféricas é indicado para problemas com simetria esférica, como campos radiados por antenas ou cargas puntuais.
Um ponto é representado por , onde:
-
: distância radial do ponto à origem,
-
(colatitude): ângulo entre o eixo e o vetor posição,
-
: ângulo azimutal, medido a partir do eixo no plano (o mesmo que em coordenadas cilíndricas).
Intervalos típicos:
Um vetor é expresso como:
-
: aponta na direção radial (aumentando ),
-
: aponta na direção do aumento de ,
-
: aponta na direção do aumento de .
Estes vetores são ortogonais e obedecem às regras de um sistema destro:
A magnitude de é:
Transformações entre cartesiano e esférico
-
De cartesiano para esférico:
-
De esférico para cartesiano:
Transformação de vetores
As componentes cartesianas podem ser relacionadas com através de matrizes de transformação. O processo pode ser feito de forma direta ou usando o produto escalar entre vetores unitários.
O autor destaca que a transformação de pontos e vetores não altera o objeto físico em si, apenas a forma como é representado. Por exemplo, o módulo de um vetor permanece constante em qualquer sistema de coordenadas.
Finalmente, a distância entre dois pontos é apresentada em forma geral para cada sistema (cartesiano, cilíndrico e esférico), mostrando como calcular .
2.5 Superfícies de Coordenada Constante
As superfícies de coordenada constante ajudam a visualizar a geometria de cada sistema:
-
No sistema cartesiano:
-
→ plano paralelo ao plano ,
-
→ plano paralelo ao plano ,
-
→ plano paralelo ao plano .
A interseção de duas superfícies é uma linha, e de três superfícies é um ponto.
-
-
No sistema cilíndrico:
-
→ cilindro circular,
-
→ semiplano que contém o eixo ,
-
→ plano paralelo ao plano .
A interseção de duas destas superfícies pode ser uma linha reta ou um círculo, e a de três define um ponto.
-
-
No sistema esférico:
-
→ esfera,
-
→ cone com vértice na origem e eixo coincidente com ,
-
→ semiplano a partir do eixo .
A interseção de duas superfícies dá curvas (ex.: círculos ou semicírculos), e a de três dá um ponto.
-
É também referido que o vetor normal a uma superfície de coordenada constante é dado por , onde é a variável mantida constante.
O capítulo inclui exemplos resolvidos e exercícios práticos que mostram como calcular componentes tangenciais, normais ou ângulos de vetores relativamente a superfícies e linhas definidas nestes sistemas.
Resumo
-
Os três sistemas de coordenadas mais usados em eletromagnetismo são o cartesiano, o cilíndrico e o esférico.
-
Um ponto é representado como:
-
em cartesiano,
-
em cilíndrico,
-
em esférico.
Um vetor é expresso com as componentes correspondentes e respetivos vetores unitários de cada sistema.
Para operações matemáticas (adição, produto escalar, produto vetorial, etc.), deve-se usar o mesmo sistema de coordenadas, recorrendo a transformações de pontos e vetores sempre que necessário.
-
-
Fixar uma coordenada define uma superfície; fixar duas define uma linha; fixar três define um ponto.
-
O vetor normal a uma superfície é .
O capítulo termina com uma tabela (2.1) que resume as transformações de variáveis e de componentes de vetores entre os três sistemas (cartesiano, cilíndrico e esférico).